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Homenagem a Izabel Magalhães – por Viviane de Melo Resende

Sou mulher, mãe, professora. Na história da minha vida, meus papéis não se separam. Da Itarema natal até a Lancaster que escolhi para minha formação, da Brasília onde me firmei ao retorno ao Ceará, e ao novo retorno a Brasília. Em tudo sempre estive inteira: a professora, a mãe, a mulher.


Na cidadã estava a professora quando investiguei a Constituição de 88, com foco nas contribuições de mulheres à construção da lei máxima do país – ainda vigente mas tão
vilipendiada! Na professora estava a cidadã quando conduzi estudo sobre letramentos de pessoas adultas numa cidade periférica do DF. A mãe estava na professora quando estudei interações médicas em pediatria, e na professora estava a mãe quando enveredei para o estudo da educação inclusiva e do atendimento educacional a pessoas com deficiências.


Se alguns me acharam dura, talvez não saibam tudo que enfrentei. Ainda hoje não é fácil fazer ciência no Brasil, é mais difícil sendo mulher, mais ainda sendo mãe. Veja um exemplo: somente em 2020 a Universidade de Brasília aprovou a Resolução sobre avaliação acadêmica de mulheres em licença maternidade. Foi preciso uma Reitora mulher, uma Decana de Pós-graduação mulher, uma Diretora de Pós-graduação mulher para essa conquista – que mesmo sendo vanguardista apenas minimiza as desigualdades de gênero que enfrentamos na academia. Só agora, em 2020! Imagine o que foi ser mãe e docente nos anos 80, 90, 2000…


Onde estive fui inteira. Sou mulher, mãe, professora. Na história da minha vida, meus papéis não se separam.